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“O que eu penso de Ray Dalio”

Recentemente, o mundo financeiro se viu em polvorosa quando Elon Musk, o influente bilionário dono da Tesla, investiu 1,5 bilhão de dólares em Bitcoin, fazendo o preço de cada unidade da criptomoeda atingir o espantoso recorde de U$ 44.220 (confira aqui). Porém, para os entusiastas dos criptoativos, um pronunciamento de outra pessoa, há pouco tempo, mereceu uma atenção menos “sensacionalista” e mais empolgante do que o de Musk. 

Trata-se de Ray Thomas Dalio, ou apenas “Ray Dalio”. Mas por que esse entusiasmo a partir de um artigo publicado no LinkedIn? Afinal de contas, quem é Ray Dalio? 

Siga com a gente, saiba tudo sobre essa importante figura do mundo dos negócios e conheça o conteúdo de seu artigo (aliás, o nome desse nosso novo conteúdo é inspirado no nome do próprio artigo de Dalio)!

 “Steve Jobs dos investimentos”

Ray Dalio é nada mais, nada menos do que o fundador da mais lucrativa gestora de hedge funds (no Brasil, “fundos de multimercados” ou “fundos de macro multimercados”) do mundo, a Bridgewaters Associates. Só pense o seguinte: a Bridgewaters tem sob sua tutela cerca de U$ 140 bilhões de dólares!

Além disso, a Bridgewater foi pioneira no mundo do mercado financeiro ao utilizar a estratégia chamada “paridade de riscos”, que se baseia no nível de risco de um investimento para fazer a alocação de ativos.  

No entanto, nem sempre tudo foram rosas para Ray. Sim, ele começou a investir precocemente (com 12 anos), sim, ele alcançou grande prestígio e sucesso profissional ao criar a Bridgewater – inclusive por sua cultura empresarial, baseada em seus princípios (aliás, nome homônimo de um de seus livros), que pregam, entre outras coisas, uma transparência radical, dando-lhe a alcunha de “Steve Jobs dos investimentos”, mas, no começo da década de 1980, Ray errou feio. 

Humildade e o “open radical open mindedness”

Em 1982, analisando a conjuntura econômica global, Dalio previu que a economia estaria se encaminhando para uma séria depressão. Já dono de uma relevante notoriedade, sua opinião foi levada em consideração, de modo a ser até mesmo convidado a falar sobre o assunto no congresso americano. 

O problema é que o mercado entrou em um ímpeto otimista que viria a durar 18 anos. Sua autoridade no mercado financeiro, portanto, entrou em austero declínio, de forma que ele ficou endividado e a Bridgewaters entrou em uma crise, incluída aí a demissão de diversos funcionários e uma massiva fuga de investidores. 

Isso o levou a repensar toda a sua forma de conduzir os negócios, mas, principalmente, a agir com humildade na tomada de decisões, deixando o “tenho certeza disso” para o “como eu sei que tenho certeza disso?”. Trata-se de uma mudança crucial na hora de colocar as coisas em prática – e o jeito que Dalio achou para “saber” foi procurar pessoas que tinham com ele um alinhamento de propósito, mas maneiras diferentes de pensar. 

E assim ele desenvolveu um de seus mais importantes princípios – se não o mais importante –, o “radical open mindedness” (“mente radicalmente aberta”, em tradução livre), conceito que, em seus desdobramentos, prega para os colaboradores da empresa um saudável e constante embate de ideias, a fim de chegar à melhor solução para determinado problema. 

Ray Dalio e os Bitcoins

E é aí que chegamos ao artigo de Dalio sobre o Bitcoin, o O Que Eu Penso Sobre Bitcoins, agorinha mesmo, em 28 de janeiro deste ano. Segundo ele, pressionado a se pronunciar sobre, na esteira do ato de outro bilionário, o Elon Musk. Mas o que Dalio diz de tão relevante no artigo?

Primeiramente, é curioso notar que uma pessoa de tamanha relevância assuma – e reitere – que não seja um especialista no assunto e até mesmo incite os leitores, em uma clara provocação, a não exatamente confiar em sua opinião:

“(…) como não sou um especialista em Bitcoins ou criptomoedas, acredito que minhas opiniões não são valiosas o suficiente para serem confiáveis, então eu não deveria divulgá-las. Eu sei o quanto é preciso saber para ter uma opinião valiosa nos mercados, então não apostaria nas minhas próprias opiniões.” 

Mas isso está em plena coerência com a filosofia de humildade de Dalio, não é mesmo? Fato é que, com a experiência e o conhecimento de um dos maiores bilionários do planeta, sim, devemos levar em consideração sua opinião sobre a mais conhecida criptomoeda atualmente. 

Bitcoin, o ouro do século XXI?

Talvez esta última chamada para nossa nova seção deste texto possa ser considerada um exagero, mas fato é que Ray coloca exatamente as criptomoedas como um ativo semelhante ao ouro – inclusive um ponto medular de seu artigo. 

Contudo, antes, ele deixa claro sua admiração pelo novo tipo de ativo:

“Eu acredito que o Bitcoin é uma invenção e tanto. Ter inventado um novo tipo de dinheiro por meio de um sistema programado em um computador que funcionou por cerca de 10 anos, e está rapidamente ganhando popularidade como um tipo de dinheiro e uma reserva de riqueza, é uma realização incrível.”

E, no caminho para a comparação com o ouro, deixa uma frase crucial:

“(…) tem o potencial de tornar muito mais pessoas ricas e de perturbar o sistema monetário existente.”

Fato é, defende Ray, que não existem ativos como o ouro hoje em dia, cujas características primordiais são o limite de oferta e a capacidade de serem mantidos em privacidade, e em crescente necessidade – e o Bitcoin pode preencher esse espaço. 

“Parece-me que o Bitcoin conseguiu cruzar a linha de uma ideia altamente especulativa que poderia muito bem não estar por aí em um futuro próximo para provavelmente estar, sim, e ter algum valor no futuro.”

Admiração, mas com ressalvas

 No entanto, nem tudo são elogios no artigo de Ray. O bilionário expõe alguns “pés atrás” no que diz respeito a alguns aspectos, como, por exemplo, o risco cibernético – embora ele ressalte que até então a tecnologia do Bitcoin não tenha sido hackeada:

“Quando o Departamento de Defesa não pode proteger seus sistemas de serem hackeados, seria ingênuo ficar totalmente confortável com o fato de que ativos digitais não podem ser hackeados (…)”

Ainda, prevê ele que o Bitcoin será substituído por outras moedas – “é assim que a evolução humana é”, diz. 

Outra questão fundamental com a qual ele fica receoso é a questão da privacidade, por conta, entre outros motivos, do Bitcoin ter um livro-razão público. 

De forma um tanto pessimista, ele acha que, o grande risco para o Bitcoin é justamente fazer mais e mais sucesso, pois isso implicaria um tipo de intervenção maior por parte dos governos no sentido de “matá-lo” (ele usa esta exata palavra), mas não explica com detalhes como isso se faria.

Simulação pela Bridgewaters

Por fim, em seu último parágrafo, Dalio nos expõe o resultado de uma simulação de investimento (Ray deixa claro que ele está em busca de ativos alternativos semelhantes ao ouro) em Bitcoin. Confira:

“(…) pedi a Rebecca Patterson e outros da Bridgewater para fazer alguns cálculos para calcular qual seria o valor das participações privadas de ouro e, em seguida, tomar as porcentagens dessas participações e assumir que foram transferidas para Bitcoin para diversificar esse tipo de participação. A título de exemplo, o que aconteceria se 10% ou 20% ou 30 ou 40 ou 50% das participações privadas de ouro fossem transferidas para Bitcoin para diversificar as participações, ou se 10 ou 20 por cento daqueles que construíram o Bitcoin ou entraram depois quisessem diversificar em outros ativos como ouro e ações, ou se o governo quisesse proibir seu uso, ou se etc… como seriam esses cenários? Eles pintam um quadro altamente incerto.”

Assim, ele finaliza dizendo que só pode prever que o Bitcoin seja uma opção de longa duração, porém, não invencível. O que realmente vai acontecer nenhuma especulação pode nos dar com uma certeza ímpar – resta-nos confiar na palavra daqueles que, até agora, têm se mostrado acertados em suas escolhas, como o grande bilionário Ray Dalio. 

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