dezembro 24, 2019

O que é a Arbitragem de Bitcoins?

A arbitragem de Bitcoins, operação recorrente no mundo dos negócios. Trata-se de uma operação em que se compra Bitcoins, oferecidos por um preço mais barato, e vende-se a um preço mais caro.

Um dos fundamentos essenciais da Economia — se não o que rege seu funcionamento — é o lucro. Não é difícil entender que, em qualquer transação, esse princípio está presente: imagine um comerciante que não considere essa premissa no dia a dia do seu negócio, seja comprando sua matéria-prima ou vendendo-a.

Neste texto estaremos explicando como funciona e o que é a arbitragem de criptoativos e também, a arbitragem de bitcoins, a moeda digital mais famosa do mundo!

Entendendo o que é arbitragem com um exemplo:

A título de exemplo, vamos imaginar um ativo simples: camarões. Temos um senso comum corriqueiro de que frutos-do-mar, de forma geral, são mais baratos na costa do que adentrando territórios continentais.

Temos que a oferta de camarão é mais barata e abundante em uma praia qualquer do estado do Paraná, digamos. Eu, como intermediário, fornecedor ou até mesmo proprietário de um estabelecimento especializado na oferta de frutos-do-mar, vou até essa cidade litorânea e compro os camarões, de modo a revendê-los por um preço maior na capital do mesmo estado.

A discrepância dos preços médios entre o litoral e a capital no que diz respeito a camarões me dá margem de lucro nas transações. Pronto. Tem-se aí o que, no mercado financeiro, é chamado de arbitragem.

Resumindo a arbitragem de ativos!

A arbitragem vale, como apontado anteriormente, para qualquer tipo de transação financeira, isto é, ações, bens, mercadorias, etc. Um exemplo muito comum é termos uma ação de uma empresa qualquer. Em uma corretora, essa ação vale um valor x. Em outra, essa mesma ação pode valer y, sendo y um valor acima de x. Fazer a arbitragem é comprar a ação de valor x, menor, e vendê-la à corretora que compra ao valor y!

Arbitragem de ativos é uma operação que exige uma atenção e análise constantes, pois o princípio vital é estar alerta justamente à discrepância de valores para um mesmo objeto.

Parece um mecanismo simples, rápido e eficiente de se obter vantagem em uma transação financeira, porém, como é praticamente inerente aos processos simples, tem suas armadilhas, que podem custar — e como! — muito caro.

A arbitragem de ativos exige cuidados — suas armadilhas são inúmeras!

É como se diz no velho e famoso princípio: “não existe almoço grátis”. Para se ter uma ideia, vamos pensar em diversas entidades que prometem lucro rápido e fácil, constantemente usando o princípio da arbitragem — sem nomeá-lo, diga-se de passagem — como justificativa para o advento de ganhos exorbitantes a partir de diferenças de preços. Ora, trata-se de, nada mais, nada menos, do que um golpe.

Tenha em mente que a própria operação de arbitragem já possui imbuída, em seu conceito, a autorregulação do mercado. O que isso significa? Lembra os camarões? Pois bem! À medida que você for comprando os camarões a um preço mais barato na costa e for revendendo-os na capital, você estará, primeiro, aumentando a procura no litoral e, segundo, ampliando a oferta na capital. Quando se aumenta a procura, os preços, também, irão aumentar — e, na mesma esteira, se a oferta é mais ampla, os preços irão cair. O resultado? A tendência dos valores entre litoral e capital, no caso específico, equipararem-se. Tem-se aí uma autorregulação da discrepância entre os valores.

Isso fica ainda mais evidente — e fácil de entender — quando pensamos que você não será o único a procurar os camarões a preço mais baixo na costa! Em outras palavras: A normalização de preços faz da arbitragem um tipo de operação de escala negativa, ou seja, quanto mais você a prática, menos lucro terá.

Resta evidente, dessa maneira, que aquelas promessas de ganho fácil a partir de operações de arbitragem ou derivadas não vingam, simplesmente por não revelarem como efetivamente o processo funciona.

A “correção” de preços é a única coisa com a qual preciso me preocupar na arbitragem?

No mercado financeiro, não. Vamos ilustrar usando a mais famosa moeda digital do momento, o Bitcoin. Imagine que alguém achou ela pelo valor de R$ 37.222 (cotação padrão dela em 4 de novembro deste ano) e resolveu comprar 100 unidades. Essa pessoa descobre que outra corretora está cotando o Bitcoin a R$ 38.000. Logo, a pessoa decide fazer a arbitragem de Bitcoins vendendo suas 100 unidades da moeda digital para a corretora que está cotando mais. Lucro sem erro, certo? Ok, mas, por um infortúnio imprevisível, a corretora a qual ele vendeu esse ativo, um segundo depois da venda, sofre um ataque hacker que desvirtua o valor da cotação, fazendo o preço diminuir.

Consegue visualizar a perda? Parece mesmo até roteiro de um filme, mas saiba que aconteceu há não muito tempo, em 2016, com a Bitfinex, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Só que lá, os Bitcoins foram transferidos para uma carteira desconhecida, resultando em um prejuízo milionário. Recentemente, parte do valor foi recuperado, mas, do roubo até o repasse de parte do valor perdido, já foram mais de dois anos — uma senhora esquentação de cabeça para qualquer investidor, para não ficarmos somente na enorme perda financeira.

Já existem riscos inerentes à qualquer tipo de arbitragem

Na arbitragem de criptomoedas, a segurança deve ser sempre um fator de relevância máxima

Assim, se você decidir investir em Bitcoins ou fazer arbitragem de criptomoedas, não deixe de, impreterivelmente, certificar-se das medidas de segurança que a corretora ou o mediador implantou nas transações, ou em seu sistema. Para além disso, desconfie também das eternas promessas de ganhos fáceis e exorbitantes e das discrepâncias muito altas entre valores.

Como vimos aqui, a arbitragem de ativos pode esconder uma ou mais armadilhas que, podem causar um dano irreparável em suas finanças.

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